Doug Aitken é um artista e pesquisador da imagem em movimento, ele conversa com a videoartista suíça Pipilotti Rist, que, segundo o livro, ’se embate com as propriedades formais do vídeo, propositalmente enfatizando seus pixels, cores e textura visual’ e cria ’shape-shiffiting psychological dreamscapes’:
“Doug: Sua concepção do espaço de exibição funciona como um tipo de edição a experiência do espectador, ou você se concentra principalmente sobre a imagem em movimento?
Pipilotti: Existem diferentes maneiras de editar a imagem em movimento. Primeiro, o projeto da própria instalação te dá muitas opções com as quais trabalhar. E no projeto final, eu gosto de dar ao espectador algumas possibilidades dentre as quais ele possa escolher. Quando eu vou ver outros trabalhos de arte, eu gosto de experimentar o ritmo do artista. Eu quero sentir por quanto tempo eles querem que você esteja diante do trabalho deles. Eu quero ser engolida. Eu quero ser guiada por eles. Mas, no final, cada espectador decide quanto tempo ele ou ela querem ficar lá. É por isso que eu gosto de museus. As pessoas escolhem ir até lá. Elas vão até lá porque querem ser manipuladas.
Doug: O museu oferece uma plataforma adequada para mostrar trabalhos que experimentam com a imagem em movimento?
Pipilotti: Se você quiser ver uma coisa que tenha começo e fim, você precisa de uma boa sala. Não importa se é um museu, um cinema, um estúdo. Nesse sentido, a história da arte recente poderia ter se desenvolvido de forma muito diferente. O que teria acontecido se nos anos sessenta a videoarte tivesse se tornado parte do cinema e não das belas artes? Imagine ir ao cinema hoje e encontrar pequenas salas de exibição para videoinstalações, onde você poderia assistir vídeos antes ou depois de assistir a filmes. E se em cada cinema houvesse videoinstalações rotativas?
Doug: Seria incrível. Às vezes eu tenho a sensação que eu tenho instalações rotativas dentro da minha cabeça! Quando eu sonho, eu sinto como se estivesse continuamente editando e reeditando”.
[...]
Uma pergunta aparece quase sem querer: porque o cinema é do jeito que é? porque manteve-se fiel a um formato muito restrito de produto audiovisual? e, ainda, para as pesquisas em vídeo, de novos formatos e novos produtos, porque elas são levadas ao museu? não poderiam se bater por outros espaços? seriam eles novos e exclusivamente desenhados ou seriam espaços tomados de outras mídias?
a imagem de um cinema que ofereça como ‘brinde’ uma profícua e provocativa coleção de videoimagens tem uma vantagem e um risco evidentes: quando vamos ao cinema tendemos a estar com os olhos e ouvidos mais atentos, já predispostos e imergir em experiências mediadas; mas também o excesso de informações adicionais pode minar a experiência do filme que, supostamente, é o foco das atenções do espectador.
é uma outra forma de colocar o problema da especialização programática.
e de certa forma é uma pergunta a ser respondida tendo em vista preocupações do urbanismo.
as novas videoimagens estarão junto dos programas que quiserem renovar/questionar/resignificar/atrapalhar.
: uma decisão que tem impacto inclusive sobre a forma como serão feitas e editadas.
[...]




pipilotti rist, ‘open my glade’, 1994-2000; 9 vídeos de um minuto para tela panasonic, tocando a cada hora de 6 de abril a 20 de Maio.
in: douglas aitken, ‘broken screen: expanding the image breaking the narrative’, new york: dap
Post enviado por Paulo Miyada
Filed under: cinema, cinema e cidade, imagem, linguagens e mídias audio-visuais | Leave a Comment
No Responses Yet to “pipilotti rist: abra minha clareira”