notas da cidade
“E como eu fui dizendo logo no início de um
poema dedicado a meu amigo o arquiteto e escultor
Fernando Corona:
“Não gosto da arquitetura nova
Porque a arquitetura nova não faz casas
velhas… Não riam, por favor, que o poema é triste.
* * *
Em todo caso, como vocês já devem ter reparado,
é nessas épocas de mudança arquitetônica que se dá a
maior instabilidade social e individual.
Havia antes, por exemplo, os cafés sentados
fumados conversados, onde a gente arrasava o mundo,
mas renovava o sonho, o ideário, a vida.
Agora, só existem esses cafés de barranco por
onde se passa às pressas e indignamente como numa
fila de desaguadouro público. Por isso é que a geração
de hoje parece tão no ar. Não tem tempo de sentar.
Para bem assentar as idéias é preciso primeiro
sentar-se…
E quantas vezes nós, ao passar por uma velha rua
quotidiana, sentimos uma vaga inquietação, uma falta
de não sei quê. Vai-se ver, é um simples lanço de
muro que demoliram e que, tijolo a tijolo, fazia parte
da nossa construção interior, da nossa estabilidade,
em suma.
E quando põem abaixo, então, a velha casa em
que nascemos?!”
In: QUINTANA, Mario. “Na Volta da Esquina”. RBS/Editora Globo: Porto Alegre, 1979
Post enviado por Priscyla Gomes
Filed under: narração e debate sobre espaço público | 1 Comment
Tags: Arquitetura, cidade, fauusp, literatura, mario quintana
nunca me recuperei
de quando, em quarenta
e duas marretadas,
derrubaram a bela
casa
de taipa
em que morri